Como a maioria dos meus amigos sabem e até alguns conhecidos, eu amo musicais. O meu favorito é Hairspray, mas tem outros que gosto tanto quanto esse. Adoro a estética no qual os musicais são construídos, tanto quanto as canções divertidas que cativam a atenção e as canções melancólicas sobre corações partidos que nos fazem chorar. O filme que trago hoje para comentar um pouco é um desses, é um longa bem leve chamado Were The World Is Mine, estreado em 2008, é uma adaptação com temática LGBTQIA+ da obra Sonhos de Uma Noite de Verão, de William Shakespeare. Foi escrito, dirigido, e produzido por Tom Gustafson, com co-produção de Cory James Krueckeberg e Peter Sterling. Como protagonistas deste sonho temos, Tanner Cohen como Timothy e Nathaniel David Becker como Jonathon.

¨Um adolescente se apaixona pelo melhor jogador de rugby da escola. A chance para Thimoty (Tanner Cohen) conquistar o coração de Jonathon (Nathaniel David Becker) em uma cidade homofóbica revela-se na aula de teatro com a encenação de uma peça. O jovem escolhido para o papel de Puck descobre uma poção mágica que o leva à realização de seus sonhos noturnos. Depois da mágica, as pessoas da cidade passam a aceitar a relação dos dois e ser gay torna-se uma coisa comum no pequeno povoado como um conto de fadas gay.¨

Com uma sinopse dessas dá para ter uma noção do que é esperado do filme. Clichê e água com açúcar, o que não deixa de ser de certa forma. Mas engana-se que é uma produção feita puramente disso, por mais que não entre profundamente em certas questões, ele aborda de forma sutil mesmo que sem entrar em grandes planos questões importantes, além da homofobia, a aceitação da própria mãe de Timothy, o pai homofóbico – que não aparece, mas é citado-, a heterossexualidade forçada em meio aos esportes, religião interferindo em decisões da sociedade e etc. Temos um vislumbre de cada um desses pontos, bem posicionados e que nos leva a entender que tipo de lugar é aquele (não muito diferente de onde vivemos).

Timothy, como único garoto gay assumido da escola só para garotos e até da cidade, se vê em diversos conflitos devido sua sexualidade, tendo refugio apenas com seus dois únicos amigos. Em casa, sua mãe ainda luta internamente com seus pensamentos homofóbicos, causando pequenos conflitos em diversas cenas. O filme se segue entre a fantasia criada pelo protagonista com seu objeto de desejo, e a dificuldade de ser quem é em uma sociedade que o sufoca. Temos aqui, como mentora Ms. Tebbit, uma professora de Artes, que a todo momento se impõe em um lugar onde ela é minoria. Aqui, é o ponto chave para todas as sucessões de evento que ocorrem no filme, sem ela, não existiria história, poção ou muito menos qualquer esperança para crescimento do protagonista e luta pelo seu amado. Tebbit, é também uma das melhores personagens de todo o projeto, com seu carisma e excentricidade, ela rouba a cena nos agraciando com ótimos momentos.

Particulamente, adoro a história, a construção de como tudo ocorre é tão irreal como um sonho e talvez seja por isso que seja tão divertido de se ver. Com uma lista de canções muito boas, temos um filme bem construído, com um roteiro leve, e coreografias divertidas. É um bom filme se você é daqueles que não espera um grande clímax ou uma história onde há uma profundidade emocional enorme. Como falei, é uma história leve, que segue um conto de fadas, que no final este filme é isto. Mas vale a pena conferir, pois nem só de filmes cult vive o homem, e cada obra no final tem algo para nos mostrar. Essa talvez, venha para nos fazer sonhar um pouco e deixar o mundo real de lado, nos fazer viajar em nossos desejos, nas fantasias que criamos. E para finalizar, parafraseio Ms. Tibbit deixando a segunte questão: “Quem será o próximo?¨

O link do trailer aqui.

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