
Orfeu (em grego: Oρφεύς, transl.: Orphéus), na mitologia grega, era poeta e músico, filho da musa Calíope e de Apolo ou Éagro, rei da Trácia. Era o poeta mais talentoso que já viveu. Quando tocava sua lira que seu pai lhe deu, os pássaros paravam de voar para escutar e os animais selvagens perdiam o medo.
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Trouxe essas pequenas informações para introduzir neste início de resenha já que representa muito do que irá ser retratado tanto na obra a ser comentada. O universo mitológico é extenso e cheio de lendas fascinantes com diversas mensagens que fascinaram e fascinam desde os tempos antigos até os dias atuais. Influenciando na arte no geral. O nome do longa metragem que trouxe hoje que traz em si um pouco do mito grego em sua construção e simbologia é: Canção de Orfeu lançado em Junho de 2019. É um filme alemão dirigido por Tor Iben, protagonizado por Sascha Weingarten e Julien Lickert.
“Dois homens de Berlim, que tornam-se companheiros de treino em sua academia local, um ajudando o outro.Os dois rapazes rapidamente caem em uma intensa amizade que a namorada de Enis, Katrina, acha fascinante, mas não ameaçadora. Quando Philipp ganha uma viagem à Grécia, ele convida Enis e os dois se divertem. Mas durante uma caminhada na floresta, eles se perdem e os ânimos se exaltam, passando para uma briga violenta. Um jovem misterioso, Hércules, aparece e os leva a uma caverna subterrânea mágica. Durante a noite, alimentado por frutas proibidas, que Hércules os advertiu de comer, a paixão acende entre Enis e Philipp. No dia seguinte – e todos os dias depois – nada entre os dois será como era antes. O filme erótico de Tor Iben é uma variação moderna do mito grego que rapidamente fará com que os espectadores caiam sob seu feitiço sensual.” (Sinopse retirada do Reeling Film Festival)

Bem, o que posso falar desse filme? A sinopse me deixou interessado de primeira (inclusive, foi outra e não essa), o trailer não entregava muito do que aconteceria no longa metragem. Sem saber o que poderia acontecer, assisti com um pouco de expectativa com o que aconteceria por uma hora e onze minutos. O que encontrei, no final, foi uma expectativa sendo destroçada. Não que o filme seja de todo ruim, a fotografia em certas cenas é linda. O cenário ajuda muito para a imersão que queriam passar, e juntamente com a trilha sonora, nos induzia a um estado onírico. Mas o estado acabava logo após isso, o roteiro não se sustentava, e não sustentava a própria história. Talvez por esperar algo, tenha me decepcionado mais com a sucessão de ações em toda a história. Primeiro, certas cenas são inúteis para a história. Aprendi uma vez, que tudo que você escrever deve ter um significado para a cena, caso não tenha, exclua. O filme é produto da subtração dessas cenas que não tem carga e valor significativo para a história, menos é mais, e neste foi a falha que não deu para deixar de lado. Nos encheram tanto com paisagens bonitas e versos de contos mitológicos sobre monstros, Poseidon, e afins, deixando de lado toda a profundidade da história, onde em 20 minutos para terminar o filme, lembram do enredo e resolvem tentar nos convencer de que aquilo é plausível. Não que não seja, talvez o meu olhar não seja apurado o suficiente ainda para entender as nuances escondidas em cada uma das ações ali apresentadas, mas de uma coisa eu sei, não houve sustento.
As atuações foram muito boas, tanto Julien e Sascha conseguiam expressar muito bem a personalidade dos dois personagens retratados, além de terem uma boa química entre si. Dá para perceber já de início que Phillip (Sascha) sente um desejo por Enis (Julien), a forma como olhava ou tentava chamar atenção levava para essa direção, Enis no entanto permanecia alheio às pequenas investidas de Philipp. Tudo poderia ter terminado de uma forma melhor, caso a relação fosse bem mais trabalhada, já que após o momento de paixão voraz entre os dois ocorre, a relação dos dois fica conturbada. Mas não ocorre isso, temos o tempo novamente passando até faltar cerca de sete minutos para terminar e tudo resolver sem nenhum real clímax ou ponto de virada. Chega a ser decepcionante ver o que poderia ser um produto promissor se transformar nisso, mas vida que segue. Talvez como ponto positivo em toda a história, seja a forma que Katrina reage ao que ocorre perto do final, como se já esperasse tudo aquilo em algum momento, uma relação que poderia ter sido melhor trabalhado e um personagem que se colocado de forma correta, poderia agregar mais valor e importância para o que aconteceria antes do climax.
Para concluir, digo apenas o seguinte, isso não vale como verdade absoluta. Talvez, em um outro momento, possa olhar novamente para esse filme e retirar algo profundo do que está sendo transmitido, aproveitar as sensações e tudo que ele pode proporcionar, mas neste momento, ele não conseguiu passar nada mais que belas imagens para a memória. Recomendo conferir e ter suas próprias conclusões, e quem sabe, não podemos conversar sobre ele qualquer dia.
Aqui segue o trailer no site do Festival Reeling Chicago LGBTQIA+ International Film.
