INtrodução

“Eu acho que todos somos atletas. Nos preocupamos, nos machucamos e às vezes rimos, trabalhamos duro para sobreviver. Eu acho que é o que mais importa. Eu vou tentar de novo também.” Priscilla para Kohei.

Resolvi iniciar com essa frase, devido representar muito bem este filme japonês do gênero drama que trago para vocês. O nome dele, assim como no título é Athlete: Ore ga kare ni oboreta hibi (original). Dirigido por Oe Takamasa, estreou em 2019, com o elenco principal formado por Yohdi Kondo e Joe Nakamura. É um filme sutil, que nos trás um relacionamento cheio de altos e baixos, personagens bem construídos e questões sociais que discutimos até hoje.

Sinopse e impressões

“Kohei, um ex-nadador de competição vive uma vida simples com sua esposa e sua filha que está no colégio. Mas um dia, sua esposa pede divórcio. Um belo garoto então entra em seu caminho. Esse garoto se chama Yutaka. Yutaka sonha em ser um animador enquanto trabalha em um chat online. Yutaka nunca contou para o seu pai que é gay e sofre por essa questão mal resolvida em sua vida. Os dois parecem confusos, mas eventualmente eles se atraem. Um dia, eles fazem amor, outro dia, eles se machucam. Nesses altos e baixos emocionais, a relação dos dois vai se tornando profunda.”

Ultimamente tenho pegado gosto por não assistir trailers dos filmes que vejo as sinopses. Não sei se é pelo fato de não querer criar expectativas, ou algum outro que desconheço no momento. Esse não escapou dessa diretriz, assisti sem saber muitas coisas e não me arrependi. Inicialmente esperei uma história mais pesada, com um relacionamento cheio de reviravoltas dramáticas, principalmente pelo fato de que o Japão ama fazer uns filmes pra destruir o emocional alheio. Assim como em outros filmes do mesmo gênero, há uma predominancia de tons mais frios, os planos em alguns momentos nos trás para a tela a solidão que os personagens sentem internamente, além do tom agridoce que a narrativa percorre. O roteiro é bem feito, e com um final que corresponde todo o caminho que os protagonistas percorrem durante a história. Simboliza muito bem os relacionamentos contemporâneos.

A cena que abre o filme, é de um aquário com um peixe, seguido de uma legenda e informações sobre o mesmo. O peixe aqui mostrado é um peixe beta macho, onde logo em seguida nos é trazido a seguinte frase: “Machos em particular estão propensos a altos níveis de agressão e podem se atacar se forem confinados no mesmo tanque.” Pode inicialmente parecer algo desnecessário, mas que explica e simboliza certas questões que são trazidas no decorrer do longa.

Kohei é um ex-nadador, inicialmente, não esperei muito do mesmo, mas que pouco a pouco foi ganhando minha atenção e estima. É um homem que após o divorcio repentino acaba esbarrando depois de beber com Yukata, o qual o leva para um bar LGBTQIA+ onde somos apresentados outros personagens memoráveis de todo o filme, como: Mimosa e Priscilla. Em meio a bebedeira acaba apagando e quando acorda, se vê no quarto de Yukata, e aí se inicia a agridoce relação de duas pessoas com conflitos diferentes de vida. De um lado temos alguém que está ainda está se descobrindo, do outro, um jovem que sabe muito bem quem é, mas esconde suas dores, uma delas, a dor de não conseguir contar para seu pai que ele gosta de garotos. Entre situações que as vezes não precisavam de palavras para expressar as barreiras que cada um colocava no meio da relação que se iniciava, vamos percorrendo uma jornada que nos leva em várias direções. Kohei, tem um crescimento bastante significativo na história, o que me deixou muito feliz ao fim. Yukata também, conseguiu vencer seus problemas e realizar o que queria sem depender de ninguém. Priscilla, é uma personagem que segue como a mentora dos personagens, seja principal o coadjuvante. É a dona do bar onde ele tem contato com todos os personagens que vão ser inseridos na vida de Kohei e no relacionamento dos dois. Como toda mentora, trás as melhores frases e lições, além de cenas maravilhosas.

Conclusão

O filme em si trás uma camada de reflexões, sobre nós mesmos e sobre nossas relações com os outros. É um filme simples em roteiro, e demonstra bem uma relação onde a maior barreira são os próprios envolvidos. É leve, de certa forma, trás bons momentos e um final agridoce, além de deixar uma questão em aberta, mas com um direcionamento para quem termina o filme pensar um pouco sobre o que aconteceria depois daquilo. Os atores são excelentes e consegue expressar todos os sentimentos de uma forma muito natural. Yohdi além de atuar, é modelo e cantor. Para finalizar, deixo a última frase que segue no filme que talvez não tenha significado inicial, mas para quem já viu, expressa uma esperança e um futuro feliz: “Só por hoje.”

Segue-se abaixo o link para o trailer, caso tenha interesse.

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