Benjamin é um filme de 2019, escrito e dirigido por Simon Amstell que fala sobre um homem chamado Benjamin, com sérios problemas de interação social. Ele é um cineasta que está prestes a lançar seu segundo filme, depois de sete anos do lançamento do primeiro. Sofrendo com a pressão e seus próprios problemas pessoais ele conhece Noah, um jovem músico que ao contrário do mesmo se mostra bem resolvido consigo. Ben, ao ver cantando logo se atrai, desengatando um início de um relacionamento.
Bem, de início, não esperava tanto do filme, Benjamin é um personagem estranho, suas interações e deixas o levam a parecer um personagem que tenta estar em sintonia com as outras pessoas, mesmo não dando certo. Ele tenta ser engraçado, mas não consegue, joga as palavras como se não conseguisse ao certo parar ou estivesse desesperado para manter a atenção do outro em si. Sua relação com seu melhor amigo, Stephen, se dá na mesma forma, uma relação estranha entre duas pessoas com seus próprios problemas internos (inclusive sua depressão) e as interações sociais. Interessante de se ver como os dois se parecem, as cenas onde eles interagem mostram uma sutileza onde tentam passar que estão ali um pelo outro, mesmo as palavras ou ações soem tão estranhas. É doce, bonito, engraçado inicialmente de se ver, até as questões se aprofundarem.
Já a relação entre Ben e Noah, começa de forma engraçada, Ben, pensa demais e se sente incapaz de amar devido sua autoestima, isso reflete bem na forma em que seus sentimentos parecem tão confusos quanto suas ações. Confesso que tive que pausar o filme algumas vezes devido o jeito do Benjamin me incomodar até me acostumar com sua personalidade e começar a ficar realmente fisgado por toda a obra. Há um conjunto de significados metalinguísticos no filme, principalmente pelo fato de que Benjamin é inspirado no próprio roteirista. Inclusive, Colin Morgan conseguiu captar -pelo menos para mim- toda a essência desse conjunto.
Assim, como em seu próprio filme, a grande questão de saber quem você é se volta para o próprio protagonista, onde eventualmente é destrinchado até seu climax. A interação entre os dois personagens é doce, acho que essa poderia ser a palavra para descrever tal ato. Com sua personalidades distintas, cada um nos oferece um tipo de sensação diferente, como um sorvete de flocos. Sobre Noah, creio que não haja tanto para se falar, é mais como uma sensação, ele é um componente importante para tudo andar, e para todas as mudanças e crescimento pessoal.
Para finalizar, com os comentários gerais sobre o filme, eu diria que gostei, não esperava uma comédia dramática quando li a sinopse, mas a obra em si ultrapassa o raso e mostra uma profundidade em detalhes que nos remetem a nossa própria realidade. Talvez por Benjamin ser tão parecido – internamente falando- comigo, tive a dificuldade em conseguir me prender e aceitar suas ações iniciais, até mergulhar profundamente em seu jeito confuso. Benjamin mostra muito mais que um romance, mas um crescimento pessoal e espiritual. É um filme interessante, engraçado em partes, e que nos trás um olhar verdadeiro sobre diversas questões, que te fazem no final do filme querer conversar com alguém sobre. Inclusive, foi esse filme que impulsionou a escrever essa primeira resenha. E para terminar, eu repito as palavras do monge: quem é você?
Fica aqui o link para o trailer do filme.